O custo de contratar errado, e o que a comunicação tem a ver

Profissionais de recursos humanos conversando durante entrevista em sala de reunião

Uma contratação que não dá certo custa entre seis e doze meses do salário da posição, somando processo seletivo, integração, tempo de gestor e a saída. Numa vaga de R$ 12.000, isso é algo entre R$ 72.000 e R$ 144.000. E a decisão que gerou esse custo começou muito antes da entrevista, na imagem que o candidato tinha da empresa antes de se candidatar.

O essencial

  • Comunicação institucional não é ação de marketing, é insumo de recrutamento. Ela define quem se candidata e quem nem olha a vaga.
  • O funil de recrutamento tem as mesmas etapas de um funil comercial, e as mesmas perdas silenciosas entre elas.
  • Numa vaga de R$ 12.000, subir a taxa de aceite de oferta de 60% para 80% economiza semanas de processo e uma rodada inteira de busca.
  • Quem contrata a comunicação institucional costuma ser o RH, mas quem se beneficia é a empresa toda: recrutamento, vendas e relação com investidor.
  • Líder que publica constrói mais marca empregadora que qualquer campanha institucional da companhia.

Quanto custa uma vaga que não fecha?

O custo aparente é o do anúncio e o das horas de entrevista. O custo real inclui a cadeira vazia, o time sobrecarregado e o gestor fazendo triagem em vez de trabalhar. Considere uma vaga de R$ 12.000 mensais.

  1. 200 candidaturas chegam ao processo. Com 25% aderentes ao perfil, sobram 50 currículos reais.
  2. 50 currículos, com 40% passando na triagem, viram 20 entrevistas.
  3. 20 entrevistas, com 25% chegando à fase final, viram 5 finalistas.
  4. 5 finalistas, com 60% de aceite quando a oferta é feita, viram 3 possíveis contratações, das quais 1 é escolhida.
  5. Nove semanas depois, se a pessoa sai em seis meses, todo o ciclo recomeça e o custo dobra.

As duas etapas com maior perda são a aderência das candidaturas e o aceite da oferta. As duas dependem do que o candidato acreditava sobre a empresa antes de qualquer conversa. Nenhuma delas se resolve melhorando a descrição da vaga.

Por que o candidato decide antes de se candidatar?

Porque ele pesquisa. Olha o site, o LinkedIn de quem vai ser o gestor dele, o que os funcionários publicam e o que dizem nas plataformas de avaliação. Quando chega na vaga, já formou opinião. A tabela mostra o efeito de mexer nessa etapa anterior.

Cenário Candidaturas Aderentes Aceite da oferta Semanas até fechar
Sem presença construída 200 50 60% 9
Com conteúdo de cultura 200 80 60% 7
Com liderança publicando 200 80 80% 5
Só aumentando o anúncio 400 100 60% 8

A última linha é a que a maioria escolhe: pagar mais para aparecer para mais gente. Ela melhora o volume e não mexe na qualidade nem no aceite, que são as duas etapas caras.

É o mesmo padrão que aparece em mídia paga, onde volume barato costuma esconder custo alto na ponta. Tratamos disso em por que o tráfego pago gera leads e não gera vendas.

O que compõe uma marca empregadora

Não é o vídeo institucional gravado uma vez por ano. É o conjunto de sinais que um candidato encontra quando procura, e a maior parte deles não é produzida pela comunicação, é produzida pelas pessoas.

  • O que os líderes publicam, com que frequência e sobre o quê.
  • O que os funcionários compartilham por vontade própria, sem pedido do RH.
  • Como a empresa responde publicamente a uma crítica, quando aparece.
  • A coerência entre o que a página de carreira promete e o que a primeira entrevista entrega.
  • A clareza do que a empresa faz, que parece óbvia por dentro e quase nunca é por fora.

Como estruturar a comunicação institucional

O erro mais comum é começar pela produção de conteúdo. O começo é definir o que a empresa quer que seja verdade sobre ela, e verificar se hoje é.

Faça o diagnóstico externo primeiro

Procure a própria empresa como um candidato procuraria. O que aparece nas três primeiras páginas de busca, no LinkedIn e nas plataformas de avaliação é a marca empregadora real, independentemente do que o material interno diz.

Escolha três mensagens, não dez

Empresa que quer comunicar tudo não comunica nada. Três atributos que sejam verdadeiros, verificáveis e diferentes do que o concorrente diz sustentam um ano inteiro de conteúdo.

Coloque a liderança para falar

Perfil de pessoa alcança e gera conversa em proporção muito maior que perfil de empresa. Um diretor que publica uma vez por semana sobre o que aprendeu constrói mais atração do que a página corporativa publicando todo dia.

Feche o ciclo com o RH

Se o conteúdo atrai e o processo seletivo demora três semanas para responder, a comunicação trabalhou contra a empresa. Atração e experiência de candidatura precisam ter o mesmo dono ou, no mínimo, o mesmo indicador. Quatro combinados resolvem quase tudo:

  1. Prazo máximo de resposta a uma candidatura, combinado e medido.
  2. Retorno para quem não passou, mesmo curto, porque candidato recusado comenta.
  3. Roteiro de entrevista alinhado com o que o conteúdo promete lá fora.
  4. Indicador comum entre RH e comunicação, começando pela proporção de candidaturas aderentes.

Os quatro números que dizem se está funcionando já existem no sistema do RH:

  • Proporção de candidaturas aderentes ao perfil.
  • Semanas entre a abertura da vaga e o aceite.
  • Taxa de recusa de oferta, com o motivo registrado.
  • Permanência em doze meses, por origem da candidatura.
De 200 candidaturas a 1 contratação O FUNIL DO RECRUTAMENTO De 200 candidaturas a 1 contratação Candidaturas 200 25% aderentes ao perfil Currículos reais 50 40% passam na triagem Entrevistas 20 25% chegam à final Finalistas 5 60% aceitam a oferta Semanas até fechar 9

Os erros que mais custam caro

Falar de cultura sem mostrar cultura

Post sobre valores da empresa não convence ninguém. Registro de como uma decisão difícil foi tomada convence. O primeiro é declaração, o segundo é evidência.

Publicar só quando há vaga aberta

Marca empregadora é construída no intervalo entre as vagas. Quem só aparece quando precisa contratar disputa atenção no momento mais caro, competindo com todo mundo que também está contratando.

Deixar o líder sem apoio

Pedir que a diretoria publique e não oferecer pauta, revisão e recorte de vídeo garante duas semanas de esforço e o silêncio depois. Consistência de liderança depende de estrutura, não de disposição.

Tratar avaliação negativa com silêncio

Uma crítica pública sem resposta vira a versão oficial. Resposta objetiva, sem defensiva, costuma pesar mais a favor da empresa do que a ausência da crítica.

Perguntas frequentes

Comunicação institucional é responsabilidade do RH ou do marketing?

A demanda quase sempre nasce no RH, porque é ele que sente a dor da vaga que não fecha. A execução costuma ficar melhor com quem já produz conteúdo. O que não funciona é cada área tocar um pedaço sem um indicador comum.

Dá para medir o retorno disso?

Dá, com os números do próprio funil de recrutamento: proporção de candidaturas aderentes, tempo até fechar a vaga, taxa de aceite de oferta e permanência em doze meses. São quatro números que o RH já tem, na maioria das empresas.

Quanto tempo leva para aparecer efeito?

A percepção externa se move devagar, então o horizonte é de trimestres e não de semanas. O que costuma mudar antes é a qualidade da conversa nas entrevistas, porque o candidato chega sabendo mais sobre a empresa.

E se a cultura interna não for boa?

Aí comunicação institucional vira risco, não solução. Atrair gente com uma promessa que a rotina não cumpre acelera a saída e piora a reputação. Nesse cenário, o trabalho começa por dentro.

Vale a pena investir se a empresa contrata pouco?

Vale, com outra justificativa. A mesma presença que atrai candidato sustenta a relação com cliente, com parceiro e com investidor. Empresa conhecida e clara negocia melhor em todas essas mesas, não só na de contratação.

Onde começar

Pegue as duas últimas vagas que demoraram para fechar e levante quatro números: quantas candidaturas eram realmente aderentes, quantas semanas o processo levou, quantas ofertas foram recusadas e por quê. Esses números dizem se o problema está na atração ou na experiência de candidatura.

Depois faça o teste mais barato que existe: procure a sua empresa como um candidato procuraria e leia o que aparece. É essa a marca empregadora que está funcionando hoje, para o bem ou para o mal.

Veja como a OCA11 estrutura comunicação institucional.

Empresas grandes costumam enfrentar isso junto com uma revisão de agência. Se for o seu caso, vale ler também sobre marketing para grandes empresas.

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